“Hoje Eu Recebi Flores”: documentário de alunas de Jornalismo aborda o ciclo da violência doméstica
A violência doméstica continua sendo uma das maiores feridas sociais do Brasil e impacta milhares de mulheres todos os dias.
Romper esse ciclo exige coragem, acolhimento e, sobretudo, visibilidade.
Foi a partir dessa consciência que as alunas de Jornalismo da Anhembi Morumbi Sorocaba, Jady Maély Paes da Rosa, Laís de Almeida Nogueira, Larissa Alves e Laura Kirschnick, decidiram transformar o Projeto de Graduação (PGA) em um instrumento de informação e reflexão.
O resultado foi o documentário “Hoje Eu Recebi Flores”, uma produção de 26 minutos que une pesquisa, relatos e sensibilidade para dar voz a mulheres silenciadas e reforçar a importância das redes de apoio no enfrentamento à violência doméstica.
O trabalho conquistou a nota máxima da banca avaliadora, ficou entre os 5 finalistas no prêmio do Intercom Sudeste 2025 e, mais do que isso, deixou um legado de conscientização e esperança.
A ideia e a escolha do formato documentário

A ideia de abordar a violência doméstica surgiu de forma “orgânica” dentro do grupo, composto exclusivamente por mulheres.
Laura Kirschnick, uma das integrantes, explica que a temática se impôs pela urgência e relevância social:
“A ideia surgiu porque éramos um grupo formado só por mulheres, e todas nós reconhecemos a importância de dar visibilidade à violência doméstica, que, infelizmente, ainda é muito comum. Os números crescentes de casos no Brasil nos mostraram que esse era um tema urgente, que precisava ser debatido com seriedade e sensibilidade.”
A escolha do formato documentário não foi por acaso.
Para um tema tão delicado, importante e complexo, o audiovisual se mostrou a ferramenta mais sensível e eficaz para transmitir a mensagem com a profundidade necessária.
Laura ressalta a capacidade do documentário de gerar empatia e facilitar a compreensão:
“Escolhemos o formato documentário porque ele é o mais sensível para tratar um tema tão delicado como a violência doméstica. O audiovisual permite mostrar as diversas facetas do assunto de forma mais humana, que combina imagens, depoimentos e sons, o que facilita a compreensão e gera maior empatia no público.”
A produção conta com muita pesquisa teórica e relatos de vítimas, familiares de vítimas de feminicídio, profissionais da saúde, do direito e da assistência social.
Dessa maneira, o grupo conseguiu trazer uma visão 360º do quanto o acolhimento institucional pode ajudar essas mulheres a romperem o ciclo de violência e reconstruírem suas vidas.
O ponto alto e os desafios da produção de um documentário

Questionada sobre o ponto alto do documentário, Laura não hesita em destacar um depoimento que marcou profundamente o grupo:
“O ponto alto do documentário foi o depoimento da tia de uma vítima de feminicídio. Foi uma virada de chave para o grupo, pois percebemos a real importância do nosso trabalho e o quanto muitas mulheres não tiveram a chance de buscar ajuda. Produzir essa parte foi intenso, exigiu muito respeito e cuidado para dar voz a essa história com toda a sensibilidade que ela merece.”
A produção de um documentário com uma temática tão sensível, no entanto, não veio sem desafios.
A segurança das informações e o respeito às entrevistadas, muitas delas em situação de vulnerabilidade, foram prioridades.
“Um dos principais desafios foi garantir o respeito e a segurança das entrevistadas, muitas delas vítimas em situação delicada e que estavam na casa abrigo como forma de “esconderijo” do seu agressor. Também tivemos que lidar com o cuidado de abordar um tema tão sensível sem expor as mulheres”, comenta Laura.
Uma experiência transformadora para as alunas e para a sociedade

Produzir “Hoje Eu Recebi Flores” foi, para Laura e seu grupo, uma experiência de grande aprendizado e recompensa.
A oportunidade de dar voz a mulheres silenciadas e contribuir para um debate tão importante foi o grande impulso do projeto:
“Produzir esse documentário foi uma experiência maravilhosa e muito enriquecedora. Trabalhar com um tema tão importante nos deu a oportunidade de aprender, refletir e, mais ainda, contribuir para dar voz a mulheres que muitas vezes são silenciadas. Foi um desafio, mas também uma grande recompensa.”
Essa trajetória contou também com a orientação dos professores Rodrigo Gabrioti e Quelen Torres, que ajudaram a potencializar o documentário.
Com sua longa experiência no jornalismo televisivo, Gabrioti trouxe uma visão prática e técnica essencial, enquanto Quelen colaborou com um olhar estratégico, ampliando o impacto e a comunicação do documentário.
“Foi uma orientação de grande valor para todas nós”, afirma Laura.
Ao falar sobre o processo, a estudante destaca que o respeito, a empatia e a sensibilidade com as histórias contadas foram determinantes para construir uma narrativa verdadeira e impactante.
E para quem pretende produzir um documentário, ela reforça a importância de planejar bem o projeto, mas também de estar aberta a ajustes no caminho, já que muitas situações fogem do previsto.
E reforça que documentários têm o poder de transformar quando feitos com humanidade.
Para quem está prestes a iniciar o PGA, deixa um conselho direto: organização e confiança no próprio trabalho.
“Aproveite cada passo do processo para aprender e crescer. E, principalmente, acredite no valor do seu projeto, acredito que isso faz toda a diferença para seguir firme até a entrega final.”
Um legado de conscientização e esperança
Ao abordar a violência doméstica com sensibilidade e profundidade, o grupo de Laura não apenas conquistou a nota 10 no PGA, mas também contribuiu significativamente para a discussão de um tema importante para a sociedade.
Este projeto demonstra o poder do jornalismo em transformar realidades e a capacidade dos estudantes da Anhembi Morumbi Sorocaba em produzir conteúdo de alta qualidade e impacto social.
Aperte o play para assistir ao documentário “Hoje Eu Recebi Flores” e se aprofundar nessa importante discussão:
