Perguntas e Respostas sobre Engenharia de Producao

Engenharia de Produção: 20 Perguntas e Respostas sobre a carreira – por Carim Toubia

Quem escolhe a carreira de Engenharia de Produção costuma ter muitas dúvidas:

“Onde estão as melhores oportunidades de trabalho?” “Quais áreas estão em alta no mercado?” “Vale mais seguir para a gestão de projetos ou para a manufatura enxuta?”

Para ajudar a clarear esse caminho, conversamos com Carim Toubia, professor dos cursos de Engenharia da Anhembi Morumbi Sorocaba.

Com mais de 20 anos de experiência em indústrias de manufatura, metalurgia e energias renováveis, Carim é Mestre em Ciência e Tecnologia de Materiais e Especialista em gestão de projetos, manufatura enxuta e produtividade, liderando equipes e otimizando processos em empresas nacionais e internacionais.

Nesta entrevista, Carim responde às principais perguntas de quem quer entender melhor o mercado da Engenharia de Produção e as oportunidades que a profissão oferece.

Bora conferir?

Sobre o mercado

1. Qual a sua opinião sobre o mercado de trabalho atual da Engenharia de Produção?

O mercado de trabalho para Engenharia de Produção no Brasil em 2025 está em expansão e é altamente promissor, com um aumento de mais de 10% nas contratações formais com carteira assinada nos últimos 12 meses, conforme dados da pesquisa do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Essa alta demanda reflete a versatilidade da profissão, que vai além da indústria tradicional e se estende a setores como saúde, tecnologia e finanças. 

A formação generalista dos profissionais permite atuar em otimização de processos e gestão estratégica, o que é valorizado em um cenário de recuperação econômica, como é o caso do Brasil. 

Em resumo, é um mercado estável e com boas perspectivas, especialmente para quem investe em especializações.

2. Quais são os principais desafios da carreira de Engenheiro de Produção?

Em primeiro lugar, concluir o curso de Engenharia já é desafiador, devido ao tempo de dedicação, mas certamente é recompensador para aqueles que conseguem chegar ao final.

Como em qualquer carreira de Engenharia, os desafios atuais incluem a necessidade de atualização constante em tecnologias emergentes para os profissionais formados, como Indústria 4.0 e IA, para lidar com a rápida evolução dos processos produtivos. 

Outro ponto é a gestão de equipes multidisciplinares, exigindo habilidades de liderança e comunicação em ambientes colaborativos, as chamadas soft skills.

Além disso, há uma grande pressão por soluções mais sustentáveis, equilibrando redução de custos com práticas ambientais, além da capacidade adaptação a instabilidades econômicas, como crises que afetam a indústria, as quais são cada vez mais comuns.

3. Você acredita que a Inteligência Artificial impacta positivamente ou negativamente a Engenharia de Produção?

Após ter mais contato com a IA, entendo que se trata de uma ferramenta que impactará predominantemente de forma positiva a Engenharia de Produção. 

Ela poderá auxiliar na otimização de processos, prevendo falhas com manutenção preditiva e analisando dados em tempo real para decisões mais assertivas acerca de estratégias produtivas. 

Já existem alguns estudos, como o da Mckinsey, no qual eles estimam que a IA deverá se apropriar de algo em torno de 30% das horas de trabalho em tarefas repetitivas. 

Por outro lado, estudos como o da PwC indicam que a IA pode adicionar até US$15,7 trilhões à economia global até 2030, com ganhos de até 70% na precisão de previsões em supply chain. 

No Brasil, ela certamente impulsionará a Indústria 4.0, reduzindo custos e aumentando a eficiência em manufatura. 

Acredito que essa tecnologia criará novas oportunidades para engenheiros com expertise em análise de dados e inovação, desde que estejam qualificados. 

O impacto negativo é mitigável com foco em habilidades humanas que dependem de subjetividade e consciência, como criatividade e gestão.

4. Quais são as áreas de atuação mais promissoras para quem faz Engenharia de Produção?

Acredito que as áreas mais promissoras incluem:

  • Logística e supply chain;
  • Indústria 4.0 (com foco em automação e IoT;
  • Sustentabilidade (gestão de recursos e práticas verdes);
  • Controle de qualidade (com IA para inspeções em tempo real);
  • Gestão de projetos. 

Outras áreas emergentes são engenharia de dados (análise de big data) e consultoria em inovação. 

Hoje existe uma demanda global crescente por profissionais com ênfase em otimização e análise de processos. 

Essas áreas são amplas, atuando desde indústrias como automotiva e agro, até os serviços. 

5. Quais são as principais tendências e oportunidades futuras na área?

As principais oportunidades estão principalmente na indústria e em consultorias, dentro das áreas de conhecimento previamente citadas. 

No entanto, para determinados perfis profissionais, o Mercado Financeiro e de Capitais pode ser uma boa opção. 

É bastante comum grandes bancos e corretoras contratarem Engenheiros de Produção para atuar em suas operações, em áreas como câmbio, renda fixa e renda variável.

Isso ocorre porque Engenheiros em geral tendem a ter maior entendimento e facilidade com operações matemáticas mais complexas.

E, especialmente o Engenheiro de Produção, tem um currículo fortemente voltado para análises probabilísticas, como nas disciplinas de Pesquisa Operacional, Estatística e Modelagem e Simulação. 

Podemos considerar que essa é uma tendência que deve ser manter, e que gera oportunidades para Engenheiros de Produção com o perfil adequado.

6. Como decidir qual área seguir na Engenharia de Produção?

Inicialmente, tenho que dizer que muitas vezes somos levados a trilhar uma carreira ao acaso. 

Por exemplo, o estágio curricular, que é um evento importante e valioso para qualquer estudante, pode ajudar na definição da carreira já nos primeiros anos como profissional. 

Mesmo assim, é possível planejar a carreira, por exemplo, optando por investir tempo em um curso stricto sensu como um Mestrado e posteriormente um Doutorado. 

Essas qualificações podem direcionar o profissional para uma área mais especializada ou até para a área acadêmica.

Para decidir, avalie seus interesses e habilidades: se gosta de análise de dados, otimização, produtividade, opte por Indústria 4.0 ou supply chain; para foco ambiental, sustentabilidade é o ideal. 

Faça o maior número de estágios possível e projetos práticos durante a graduação para avaliar as suas aptidões. 

Considere o mercado: tendências como IA e ESG atualmente oferecem mais vagas. Analise salários e tendências de crescimento. Consulte seus professores e colegas mais velhos que já estão no mercado. 

Por fim, priorize uma área alinhada à sua visão de carreira, como consultoria para quem busca versatilidade ou manufatura para um foco mais técnico.

7. Quais os primeiros passos para iniciar na carreira de Engenharia de Produção?

Os primeiros passos incluem integralizar os créditos e realizar a colação de grau como Engenheiro de Produção. 

Se associar ao CREA pode ajudar, principalmente para concorrer a cargos que podem sofrer algum tipo de fiscalização por parte do órgão.

Concomitantemente ao curso, sugiro a realização de cursos rápidos como Excel, Power BI, cursos de programação e simulação discreta. 

Nesse ponto, não é preciso dizer que o estudo da língua inglesa é essencial para um início de carreira promissor. Aprenda inglês, mesmo que informalmente, através do uso de internet, música, filmes, etc. 

Se possível, participe de programas de trainee em indústrias para a entrada no mercado já em posições de destaque. 

Invista em networking, isso é essencial. 

Participe de eventos presenciais e online e realize interação com sua rede social, incluindo o LinkedIn

Assim que estiver no mercado de trabalho, foque em aprender, e assim que possível, volte a estudar e se qualifique através de MBA´s, cursos de especialização, Mestrado ou Doutorado.

8. Quanto ganha um Engenheiro de Produção no Brasil?

Varia bastante, mas em 2025, o salário médio de um Engenheiro de Produção no Brasil é de R$10.943,86 mensais para jornada integral, conforme dados do CAGED. 

O piso salarial mínimo é de R$10.644,97 (Nível Júnior), e o teto pode chegar a R$18.824,23. 

Os valores variam por fatores, como:

  • Localização: os valores são maiores em SP e RJ, até 20% acima da média nacional;;
  • Porte da empresa: grandes indústrias pagam mais;
  • Especializações e regime: A CLT inclui benefícios como FGTS e 13º, enquanto PJ (Pessoa Jurídica) permite um faturamento maior (até 30% a mais líquido, mas sem proteções trabalhistas, com impostos como Simples Nacional em torno de 6-15%). 

Veja também: CLT ou PJ? Guia Completo para ajudar na escolha profissional

9. É importante o Engenheiro de Produção fazer uma pós-graduação ou especializações?

Sim, manter-se atualizado é essencial para o desenvolvimento da carreira e os cursos de pós-graduação/especialização são uma boa ferramenta. 

Além do conhecimento geral adquirido os alunos têm a possibilidade de aumentar as redes de contato, o que é essencial para o crescimento na carreira. 

Aqui na Anhembi Morumbi Sorocaba, por exemplo, o MBA conta com uma ampla gama de áreas de Especialização, como Planejamento Empresarial, Business Intelligence e Gestão de Projetos, que podem agregar à carreira do Engenheiro de Produção.

Sobre o curso de Engenharia de Produção da Anhembi Morumbi Sorocaba

10. O que o aluno estuda e aprende no curso de Engenharia de Produção?

No curso de Engenharia de Produção, o aluno adquire uma formação ampla e multidisciplinar, combinando conhecimentos técnicos, gerenciais e estratégicos para otimizar processos produtivos em indústrias, serviços e outros setores. 

A grade curricular abrange:

  • Disciplinas fundamentais: Cálculo Diferencial e Física;
  • Disciplinas técnicas: Pesquisa Operacional, Supply Chain, Gestão da Produção e Qualidade;
  • Disciplinas de gestão: Gestão de Pessoas, Microeconomia e Engenharia Financeira.

Assim, proporciona uma visão integrada de sistemas produtivos.

11. Qual a duração do curso de Engenharia de Produção da Anhembi Morumbi Sorocaba?

O curso de Engenharia de Produção da Anhembi Morumbi Sorocaba tem duração de 10 semestres.

12. Que tipo de preparação a Anhembi Morumbi Sorocaba garante para os alunos de Engenharia de Produção?

A Anhembi Morumbi Sorocaba oferece uma preparação integral e alinhada ao mercado de trabalho para os alunos de Engenharia de Produção, combinando teoria avançada com práticas reais e foco em inovação.

Como parte da parceria com a Universidade Anhembi Morumbi (UAM), a partir de 2025, o curso adotou o modelo pedagógico renomado da UAM, reconhecido pelo MEC com notas máximas no ENADE e avaliações institucionais, garantindo uma formação de excelência que desenvolve competências como liderança, ética, visão estratégica e resolução de problemas

Somado a isso, a Anhembi Morumbi Sorocaba oferece uma localização privilegiada e acessível para Sorocaba e região, além do status de Centro Universitário, que amplia a autonomia para novos programas e ainda, temos o DNA de formação de “lideranças transformadoras” que confere alta empregabilidade.

13. Os alunos de Engenharia de Produção têm aulas, atividades e projetos práticos?

Sim, na Anhembi Morumbi Sorocaba o corpo docente, em sua totalidade, é formado por profissionais atuantes no mercado e claramente isso beneficia os alunos a partir de atividades que retratam a realidade vivida nas empresas. 

Além disso, temos os laboratórios técnicos de mecânica, química, hidráulica, modelagem e de informática, equipados para realizar experimentos no contexto das disciplinas e que ficam à disposição dos alunos para o desenvolvimento de projetos curriculares ou extensão acadêmica.

Para finalizar, existem uma série de projetos interdisciplinares ao longo do curso, todos voltados à aplicação da teoria na prática profissional.

14. Para cursar Engenharia, preciso ser expert em matemática?

Não, não é necessário ser um expert em matemática para cursar Engenharia de Produção, mas é importante ter uma boa base e disposição para aprender conceitos matemáticos mais avançados. 

Como já mencionei, as disciplinas podem demandar o desenvolvimento de equações diferenciais, derivadas, integrais, probabilidades e modelagem.

Habilidades como raciocínio lógico e resolução de problemas são tão importantes quanto o domínio técnico, e a prática constante durante o curso ajuda a desenvolver confiança. 

O curso de Engenharia de Produção também valoriza competências gerenciais e estratégicas, então o sucesso não depende apenas da matemática, mas de um equilíbrio entre habilidades técnicas e interpessoais. 

Se você gosta de resolver problemas práticos e está disposto a estudar, pode se adaptar bem ao curso, mesmo sem ser um “gênio” em matemática.

15. Existe uma matéria mais temida pelos alunos de Engenharia de Produção? Se sim, qual?

Sim, as disciplinas do ciclo básico, sendo que a mais temida pelos alunos de Engenharia de Produção costuma ser Cálculo Diferencial e Integral (geralmente Cálculo I, II e III), devido à sua complexidade matemática e ao nível de abstração exigido. 

Essa disciplina, presente nos primeiros semestres, aborda derivadas, integrais e equações diferenciais, que são desafiadoras mesmo para quem tem uma boa base em matemática do ensino médio. 

Outras matérias como Pesquisa Operacional (I e II) e Estatística Aplicada também podem ser temidas por envolverem modelagem matemática e análise de dados, mas o Cálculo lidera devido à sua carga teórica inicial. 

16. O TCC em Engenharia de Produção é muito difícil? Quais temas costumam ser escolhidos?

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), aqui na Anhembi Morumbi Sorocaba chamado de PGA,  em Engenharia de Produção não é necessariamente muito difícil, mas exige planejamento, organização e dedicação

A dificuldade varia conforme o tema escolhido, a familiaridade com a metodologia científica e o acesso a dados ou empresas para estudos de caso. 

Aqui na Anhembi Morumbi Sorocaba, o TCC é desenvolvido no último ano (9º e 10º semestres), com orientação de professores sempre com foco em casos reais.

A estrutura do curso, que prevê a aplicação de projetos práticos ao longo dos semestres, prepara o aluno gradualmente para o TCC, tornando o processo mais gerenciável se houver comprometimento. 

Os temas mais comuns estão ligados às áreas de otimização de processos, controle de qualidade, planejamento e controle de produção e manutenção.

17. A Anhembi Morumbi Sorocaba tem parcerias com empresas que oferecem oportunidades para os alunos?

Sim, a Anhembi Morumbi Sorocaba tem uma estreita ligação com grandes empresas da região, fruto de duradouro relacionamento e uma grande oferta de profissionais qualificados ao longo de mais de 20 anos.

Empresas como Starret e Saint Gobain, por exemplo, patrocinam laboratórios e fornecem tecnologia para experimentos. 

Além disso, há parcerias com o Parque Tecnológico de Sorocaba e empresas de RH que ofertam vagas de estágio para os estudantes.

Sobre dúvidas na escolha do curso

18. Como você decidiu trabalhar com Engenharia de Produção?

Quando iniciei minha carreira, ainda como estagiário, tive a oportunidade de trabalhar na área de Controle de Qualidade e posteriormente na Engenharia de Produto. 

Nesses momentos, tive uma estreita relação com a área produtiva e fiquei fascinado com o dinamismo de uma linha de produção e seus desafios para se manter produtiva. 

Assim que me formei, surgiu uma oportunidade para trabalhar em uma empresa de manufatura intensiva e acabei ficando lá por 10 anos. 

Nesse meio tempo, realizei cursos de especialização e concluí o mestrado, o que me levou a ingressar na carreira acadêmica, a qual me deixa bastante realizado,

19. Destaque 3 habilidades que você considera importantes para quem quer ser Engenheiro de Produção.

Capacidade analítica – aqui me refiro a análise de dados, informações e suas interações em um sistema. 

E a capacidade de obter insights a partir dessas informações e fazer a leitura correta do processo e assim traçar cenários de resposta adequados.

Capacidade de persuasão – Compreender o sistema social em uma organização é um desafio que deve ser encarado para se realizar as mudanças necessárias, principalmente no ambiente complexo em que vivemos atualmente. 

A partir desse entendimento, fica mais fácil persuadir genuinamente as pessoas a mudar de um estado para outro (melhorado), e a sustentar essa mudança no longo prazo. 

Significa criar uma relação de confiança com as pessoas. 

As vezes brinco que todo Engenheiro de Produção precisa assumir o papel de um psicólogo na execução de um trabalho.

Visão sistêmica – A ação de um Engenheiro de Produção pode ser localizada e pontual, mas ele precisa saber avaliar os impactos sistêmicos dos resultados. 

Essa habilidade precisa ser praticada e deverá emergir a partir da execução e de uma análise sincera dos erros e acertos. 

O sentimento de medo de errar pode atrapalhar e não deve ser um fator impeditivo para a prática, principalmente se uma boa gestão de risco for realizada.

20. Qual conselho você daria para quem pretende seguir a carreira de Engenheiro de Produção?

Para quem gosta de números e ainda tem dúvidas sobre qual carreira seguir, recomendo fortemente conhecer sobre o curso de Engenharia de Produção da Anhembi Morumbi Sorocaba.

Aos que já se decidiram e vão prestar o vestibular, sugiro que estudem com afinco e deixem para trás as disciplinas do ciclo básico o mais rápido possível. 

Conversem e interajam com colegas veteranos e formem grupos de estudo com os colegas de classe, isso ajuda a enfrentar mais tranquilamente os desafios. 

A partir do 5º semestre, se planejem para iniciar um estágio e se dediquem para aprender o máximo possível. 

Esse é um momento em que o erro é permitido, então erre e aprenda rápido! 

E aproveitem para fazer amizades, participar de eventos, projetos, palestras e conviver com as pessoas, em resumo, se desenvolvam e sejam felizes. 

Acreditem, 5 anos passam muito rápido!

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